‘Os Loisíadas’, crónica do ‘Tributo a Lois Pereiro’ na Sala Nasa por Roberto Roget en Diário Liberdade

(Roberto Roget para o Diário Liberdade) A última vez que se tinha sentido com tanta força a presença de Lois Pereiro em Compostela fora no concerto tributo aos Radio Océano do ano passado, quando Johnny Rotring (Xosé Manuel Pereiro) cantava ‘Narcisismo’ junto com a mítica banda dos 80.
No passado 31 de março, novamente na Sala Nasa, pugemos em xeque a balança entre a mistificaçom do artista e a comuniom com o seu legado, mas o peso da sua obra nom nos deixa elevá-lo ao sublime e resiste-se a ficar entre nos, desafiante. A sua escritura desativa por si mesma todas essas cuchipandas, em palavras do Leo. Assim, o tributo a Lois Pereiro fez que a verdadeiramente sublimada fora a festa, a música, a literatura galega e a própria poesia.
O chévere Manuel Cortés apresentou o elenco musical, e Manu Clavijo desprendeu com classe as primeiras notas da noite. Um foco imaginário iluminava algum recanto impossível onde o poeta mais punk gostaria de escuitar e de espreitar, e seica Lois era um observador implacável. Desta volta nom assistiu a polícia, como fizera no tributo a Lois Pereiro no Borrazás da Corunha, para deixar constância do incomodo que segue a ser o seu espírito.
No descanso das bandas, entre cervejas e leituras fugazes da Poesia última de amor e enfermidade, escuitava declaraçons dos mais achegados. Segundo o seu irmao, embora as desgraças que lhe puderam ter acontecido, Lois era umha pessoa muito divertida, e pode que essa profunda alegria, retranca e fúria seja o que impregna hoje este tipo de celebraçons. Para Antón Losada “todos os poetas recordam a alguém, mas Lois Pereiro só me recorda a Lois Pereiro”.
O inovador projecto musical Das Kapital, que este ano apresentará disco, foi depois o encarregado de recuperar Narcisismo, esse cru poema musicado onde o latejar do autor se converte em percussom: Sigo os passos do sangue no meu corpo
Fora de cena, quem também integra o projeto audiovisual Nom saímos do lixo, imaginava o que nos poderia dar o Lois Pereiro roteirista, cronista irônico de humor incorreto.
O último grupo em saltar à cena foi Ondas Martenot. Mençom à parte merece este que poderíamos chamar projeto póstumo do Lois: O Leo i Arremecaghona, Cristina (do Sonoro Maxín, que também terá disco este ano) e Fran mais Antón (que venhem de estrear disco de Ulträqäns no AchegArte), tocárom o que Lois, “que tinha o subconsciente colonizado polo rock’n’roll”, quereria ouvir.
A emotividade ganhou graus quando Josito Pereiro se somou com a sua voz a completar o repertório. Ecoou na sala o Perfect day de Lou Reed com reminiscências de Fuxan os Ventos, e o momento lusista deixou-se sentir ao som do Como o vento de Radio Océano e do Venham mais cinco do Zeca Afonso.
A despedida soube a agradecimento, pois umha pessoa que foi sem se queixar de nada, deixou em nós carinho nom condescendente e ganas de viver desesperadas. Chama a atençom a festividade desta iniciativa civil nom subvencionada, no ano mais valente e menos institucionalizado da história dum rejuvenescido Dia das Letras Galegas.
E chama a atençom especialmente o elevado nível de apropriamento da obra por parte das novas geraçons, quiçá, pola contemporaneidade do escritor e também pola modernidade alternativa e compromisso libertário que esconde.
Isto é o que transmite este fresco espetáculo tributo a Lois Pereiro, e estas som as vindouras paradas:
– 22 de abril. Local Social A Rebusca. Maceda (Terra de Trives).
– 30 de abril. Ato de Causa Galiza em Lugo.
– 7 de maio. Narahio (Ferrol).
– 12 de maio. Antigo cárcere da Corunha.
– 13 de maio. Muimenta (Terra Chá).
– 14 de maio. Parque Santa Margarida da Corunha.
– 16 de maio. Ourense.

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